1ª Série

domingo, 29 de abril de 2007

A IGREJA E SEU PAPEL SOCIAL II - Qual o Perfil que Queremos Para Nossas Igrejas?

Texto Bíblico (base): Romanos 12:1,2

Tenho consciência de que o assunto "Igreja" é por demais extenso para tratarmos aqui. Não é minha intenção apresentar de maneira exaustiva o tema. Permita-me compartilhar com você apenas uma simples, mas importante, abordagem sobre o perfil que queremos para nossas igrejas. Igreja, visto pelo prisma de povo, pessoas ou, seres sociais.
Pois bem, a Igreja, como a própria palavra já diz, significa união de pessoas ou, grupo de seguidores de Cristo que se reúnem em determinado lugar para adorar a Deus, receber ensinamentos, evangelizar e ajudar uns aos outros. O termo aparece cerca de 75 vezes, e apenas no novo testamento. Bom, estamos falando aqui, então, de pessoas, de povo, de grupo. Ou seja, estamos falando de pessoas que se unem com propósitos comuns, dos quais poderíamos destacar como um dos principais a evangelização. Evangelizar é inserir-se na sociedade com dons e talentos e usá-los como ferramenta de transformação social, através do anúncio de novas e boas notícias. Não estou me referindo a técnicas de como se abordar pessoas para lhes falar das passagens bíblicas. Veja que estar inserido em uma sociedade, é muito mais que isso. Refiro-me a estarmos de fato, como igreja, vivendo e convivendo numa sociedade injusta, corrupta, frágil e pecaminosa, em suma: uma sociedade em crise. Nela, temos o papel de sermos representantes de um reino poderoso e perfeito. De forma que, temos uma grande responsabilidade em nossas mãos: transformar o mundo (Rm 12:1,2), assim como promover o seu progresso. Você já se imaginou representante de um reino poderoso e justo? Se já, poderíamos então, contribuir para implantar esse reino (ou parte dele) aqui, enquanto aqui vivermos, e, assim alcançarmos o nosso propósito [da igreja].
Contudo, é necessário entendermos que, para influenciarmos o progresso da sociedade, precisamos estar no nível de conhecimento exigido por ela. Não adianta nos preocuparmos apenas com nossa vida moral, espiritual e como organizamos as visões de nossas igrejas, sem considerarmos nossas capacitações intelectuais, culturais, ideológicas e sociais. Tomamos como exemplo o seguinte: Se nos interessamos pela sociedade indígena, com o propósito de evangelizá-los, nos inserimos no meio deles e convivemos com eles, através de pessoas capacitadas que conhecemos como missionários de campo. Aprendemos seus costumes e modo de viver. Com o tempo suas particularidades já fazem parte de nossos hábitos. Como permanecem em nós os princípios cristãos, passamos então a influenciá-los. Da mesma forma, necessitamos de preparo para enfrentarmos as dificuldades de evangelizarmos a cidade, as grandes metrópoles em que habitamos. A vida urbana exige, cobra, sobrecarrega. Tudo isso para vencer as dificuldades impostas por ela. Mas nós precisamos cristianizar a sociedade, caso contrário, a exigência natural da sociedade urbana e do mundo, se implantará na Igreja.
À Igreja, é necessário preparar-se para transformar o mundo, evitando assim que este a transforme.
Se a sociedade exige a utilização das novas tecnologias, então precisamos aprender a dominá-las; se o mundo cobra o conhecimento, em função da velocidade e voracidade das informações, a Igreja deve evitar ficar somente em si mesma e voltar-se à realidade social que lhe rodeia; se a vida urbana sobrecarrega com seu dinamismo, a Igreja, por sua vez, deve sentir o leve fardo do Senhor, através de um melhor preparo à frente de discussões gritantes hoje, discussões essas, necessárias para aliviar o sofrimento dos nossos semelhantes menos "privilegiados".
Em muitas de minhas mensagens, tenho enfatizado a importância de incentivarmos nossos irmãos a continuar seus estudos, a retomarem seus projetos profissionais, não apenas para conseguirem bons empregos ou status social, mas para se conseguir penetrar a realidade social de hoje, e usar tudo isso para a conquista de almas para o Reino de Deus. Os cristãos têm uma espécie de "convocação" natural para ocuparem as melhores posições na sociedade, mas, mui raramente atendem essa convocação. Mas afirmo ser por demais necessário, pois o nível de corrupção tem aumentado assustadoramente no Brasil, trazendo grande sentimento de insegurança nas pessoas. Até magistrados têm se envolvido em falcatruas!
Observo alguns casos, na comunidade cristã de hoje, de pessoas que estão, lamentavelmente, desanimadas, deprimidas e com sentimento de desalento e derrota. Em suma, estão em crise. Por quê? Porque o mundo está em crise e tem aberto sua bocarra e engolido aqueles que se entregaram e não mais lutam para melhorar, caindo atrás de um véu de religiosidade e falsa espiritualidade, dizendo: "é Deus que quer assim" ou, "essa é a vontade de Deus", quando não se utilizam de versículos bíblicos isolados para justificar de forma espúria suas mazelas.
Mente transformada, sociedade transformada. Essa afirmação bíblica é princípio para todos os casos em que se busca a mudança. Quando se modifica uma situação, outras novas, obrigatoriamente, ocorrem em seguida. Observe os dados no gráfico abaixo, muito interessantes levantados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), órgão oficial do governo. (Obs.: Para ver o gráfico com melhor nitidez, clique em cima dele)
Quando se cruzam dados de escolaridade com os de salário, colhidos na última pesquisa por amostra de domicílios pelo IBGE, é possível verificar que o maior salto de renda se dá entre o ensino médio e o superior. Mas a diferença de salário é significativa em qualquer que seja o nível de ensino em que o brasileiro pára de estudar.
Uma igreja que tem seus membros ocupando boas posições na sociedade, esses oferecem, sem dúvida, melhores condições missionárias para a comunidade onde freqüentam. Considerando uma situação normal de seleção e recrutamento no mercado de trabalho, no mundo capitalista em que vivemos, para que as pessoas conquistem tais posições, são impostos alguns requisitos, dos quais, o mais importante é o grau de escolaridade.
Qual a igreja que esperamos estabelecer onde vivemos? Ou, qual o perfil social que esperamos dos membros das igrejas locais, enquanto cidadãos atuantes na sociedade em que vivemos?
Se você é um líder congregacional, ore e busque estratégias de Deus, para que os membros de sua comunidade se sintam motivados a continuarem lutando para transformar a sociedade, ocupando as melhores e mais estratégicas posições sociais. Minha oração é essa, desejo profundamente essas coisas para a igreja em que você congrega. Não esqueça: DEUS CONVOCOU A SUA COMUNIDADE PARA TRANSFORMAR O MUNDO.


Autor: Manuel Raposo
Bacharelando em Teologia pela Universidade Metodista de São Paulo

Nenhum comentário: